Leia um pouco do que o Autor e alguns amigos escreveram sobre o Livro.

Prefácio 1

Prefácio 2

Prefácio 3

 

 

 

 

 

 

REFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO                                                                                           

 

" Dada a natureza toda especial do material humano com que tem de lidar, o planejamento é tão necessário ao professor quanto ao engenheiro que empreende a construção de uma ponte, de um edifício ou de uma estrada".(*)

 

Um fato muito importante da atualidade, que teve como causa o lançamento da Sputnik, foi o impacto pela memorável façanha da técnica e da ciência soviéticas.

Quando o famoso satélite russo penetrou, pela primeira vez, na estratosfera, como que uma cortina de estupefação e mesmo de humilhação, causada pelo amor próprio nacional ferido, cobriu todo o território dos EUA, conforme o testemunho imparcial do grande sociólogo e educador espanhol, Prof.Francisco Ayala, que, se referindo aos fatos então desencadeados naquele país, disse: "...fueron tan intensos y desproporcionados como para ocasionar sorpresa y dar risa, cuando no lástima" (**).

Uma comissão federal de ensino que já havia dois anos fazia o estudo comparativo do ensino nos EUA com o da Rússia, imediatamente concluiu os seus trabalhos, os quais foram logo publicados, causando enorme sensação.

Continua o Prof. Ayala às pags. 28 do citado livro: "La notória superioridad de los soviéticos radicaba, aunque suene a paradoja, en su espíritu conservador y tradicionalista. El gran descubrimiento, la estupenda novedad, era que los alumnos de la escuelas soviéticas acuden a ellas para estudiar y no para "integrar-se", "ajuntarse al grupo" o "experimentar con las cosas"; que sencillamente, estudian con dura competencia y dentro de un orden disciplinado, exigente y serio".

Toda a máquina ou toda a organização da poderosa nação do norte foi arregimentada, numa pesquisa de emergência, para chegar-se a esse resultado simples e inesperado: os russos atingiram esse tremendo desenvolvimento porque os seus estudantes estudam ...

Imediatamente, foram tomadas providências para crítica e revisão do sistema educacional norte- americano, como prova o testemunho do astrofísico J.Allen Hynek: "Este país tem que mudar de maneira de pensar acerca da educação, começando no jardim da infância" (***).

Haverá nisso alguma contradição com o que, desde há muito tempo, já pregava o consagrado pensador e educador americano John Dewey? "- Somente porque a escola tradicional se tornou um trabalho de rotina, no qual os planos e programas eram ditados por autoridades do passado, não se segue daí que a educação progressista deva ser um trabalho de improvisação, destituído de planos" (****).

Muitas vezes, quando os alunos não estudam, as causas são remotas e não dependem deles.

E, então, volvamos os olhos para o nosso Brasil. Há quase um século escrevia Rui Barbosa, referindo-se às necessidades de reformar o nosso sistema de ensino: "Reforma dos métodos e reforma do mestre: eis, numa expressão completa, a reforma escolar inteira; eis o progresso todo e, ao mesmo tempo, toda a dificuldade contra a mais endurecida de todas as rotinas - a rotina pedagógica. Cumpre renovar o método, orgânica, substancial, absolutamente nas nossa escolas. Ou, antes, cumpre criar o método, porquanto o que existe entre nós usurpou um nome, que só por antífrase lhe assentava: não é o método de ensinar; é, pelo contrário, o método de inabilitar para aprender ... " (*).

Haverá mudado muito o panorama ?

Professores de hoje, fomos alunos no passado. Trazemos em nosso conjunto de conhecimentos a trágica marca desse rotineiro e distorcido ensino. Cumpre-nos fazer tremendo esforço para libertarmo-nos dos hábitos ruinosos adquiridos.

Sabemos que o grito de Rui Barbosa continua ecoando pelas nossa quebradas e que, infelizmente, ainda reboa, tonitruante, nas nossas consciências.

Daí a razão de havermos tentado fazer uma planificação no nosso setor de ensino, num esforço para dinamizar as nossas aulas. O que pretendemos tem algo de novo e pode contribuir para melhoria do ensino, em virtude da maneira como estamos apresentando o nosso trabalho e de como estamos aplicando a nossa experiência.

Como é impossível demolir-se uma montanha simplesmente olhando-se para ela, metemos mãos à obra, a fim de fazermos a nossa parte. Outros virão para fazer coro conosco, estamos certos.

Nosso intuito, ao apresentarmos o presente trabalho, é a organização de um roteiro para estudo da Acústica, no campo de sua aplicação à Arquitetura, pois a mesma constitui uma das disciplinas componentes da cadeira de Física Aplicada nas Escolas de Arquitetura do Brasil ou Equipamentos de Edifícios I e II ou, ainda, Conforto Ambiental.

Na FAMIH - Faculdade Metodista Izabela Hendrix é denominada Instalações Especiais e Equipamentos e engloba apenas o Condicionamento de Ar e a Acústica Arquitetônica.

Essa cadeira costuma subdividir-se em até quatro disciplinas distintas: Iluminação, Condicionamento de Ar, Acústica e Instalações Elétricas, cujos amplos programas devem ser esgotados em apenas um ano letivo, ou seja, 2 semestres.

Em nossa Escola, é lecionada no 6º período do curso de Arquitetura, com a qual tivemos a oportunidade de colaborar no período de 1949 a 1979.

Dada a complexidade curricular do Curso de Arquitetura, não é fácil cumprir todo o programa da cadeira como, também, condensar toda a matéria para proporcionar, num ano letivo, o seu ensino prático e eficiente.

Não conhecemos, mesmo em língua estrangeira, qualquer obra editada, encerrando as citadas disciplinas, que pudesse ser apontada como livro texto do curso.

Baseados nessa considerações, escolhemos inicialmente para publicação, entre os quatro assuntos mencionados e umbilicalmente interligados, aquele que, a nosso ver, tem mais importância para a Arquitetura: a Acústica Arquitetônica.

Pretendemos realizar uma obra que faculte, ao estudante, a aprendizagem rápida e objetiva dos princípios fundamentais dessa disciplina.

A maneira como estudamos, planejamos e desenvolvemos o tema escolhido, para a sua finalidade específica, constitui parte de nossa tese apresentada à douta congregação da Escola de Arquitetura da U.F.M.G., em 1963, para concurso de docência-livre da Cadeira de Física Aplicada (atual Conforto Ambiental).

Sendo sua finalidade didática, não poderíamos ter a pretensão de realizar uma obra de profundidade, o que não somente fugiria ao nosso escopo mas, também, conduzir-nos-ia ao campo das cogitações científicas, onde não estaríamos nós à altura de penetrar.

 

Belo Horizonte, 30 de março de 1962

 

Pérides Silva

 

 

PREFÁCIO DA 2ª EDIÇÃO                                                                                           

 

Os fenômenos da acústica, a despeito de sua importância crescente, em razão da interferência cada vez maior do som e do ruído na civilização contemporânea, permanecem ainda, e lamentavelmente, pouco conhecidos e equacionados.

As naturais dificuldades que lhe são inerentes, a escassa bibliografia e o próprio ensino da matéria, no geral apegado a excessos teóricos de difícil aplicabilidade, antepõem-se ao entendimento necessário do assunto, tornando-o pouco acessível a quantos por ele se interessam.

Por isso mesmo recebe-se com aplausos contribuições como esta de Pérides Silva que, alicerçadas em aprofundados estudos e continuadas experiências no campo profissional, tornam-se de grande utilidade, principalmente a estudantes de Engenharia e Arquitetura.

Assinalem-se na obra do professor Pérides não só a correção dos conceitos como o método de explanação e a clareza da exposição que muito recomendam pelo considerável auxílio acrescentado à inteligência dos problemas sonoros, muitos dos quais focalizados em íntima relação com forma e materiais interessados à Arquitetura.

Por tantos e inegáveis méritos, certamente não deixará o trabalho do ilustre professor da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais de provocar, por parte de quantos o utilizem, entusiástica acolhida e louvores.

 

Belo Horizonte, 01 de março de 1968

 

Sylvio de Vasconcellos

 

 

PREFÁCIO DA 3ª EDIÇÃO                                                                                           

 

Ao receber um rascunho de "ACÚSTICA ARQUITETÔNICA" do Prof. Pérides, que em menos de um mês se tornaria a 3a. edição dessa obra agora ampliada com "Condicionamento de ar (Simplificado)", confesso que passei por diversas reações.

Num primeiro momento fiquei emocionado, porque, ainda segundanista na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, lembro-me que em meio a intrincados livros em inglês, uma apostila do saudoso Prof. Cintra do Prado e o livro do Prof. Pérides eram as minhas tábuas da salvação, os meus livros de cabeceira, verdadeiros incentivos para a variante vocacional à qual tendia desde então: ser um Arquiteto e Acústico. Quase nada mais havia em português sobre o assunto e é de se imaginar quão estafantes pareciam aos estudantes de Arquitetura os alentados livros em inglês de que dispunham.

Ante a recordação de como a esbelta 2a. edição de "Acústica Arquitetônica" do Prof. Pérides nos era convidativa e comparando-a com a atual, tive minha segunda reação. Dei-me conta de que agora o professor pretende obsequiar leitores mais amadurecidos, da área de Engenharia Civil, sua própria área de formação. Com isso, 35 anos depois, dá mais uma tacada de mestre, pois os engenheiros civis e os estudantes de engenharia, em geral, carecem muito de conhecimentos nesse terreno e, ao que tudo indica, começam a buscá-lo quando a serviço de construtoras premidas por consumidores mais esclarecidos e mais exigentes, sobretudo os adquirentes de imóveis residenciais e comerciais.

Apenas folheando o "rascunhão", já que a premência de prazo para a edição não me permitia uma leitura pormenorizada das suas quase 400 páginas, a reação seguinte foi sentida por não poder contribuir como deveria para tão ingente esforço do velho mestre.

Mas, logo voltou-me a euforia. Afinal, tinha diante de mim uma exuberante resposta à afirmação corrente de que os acústicos brasileiros são tão poucos e tão ocupados que não produzem literatura técnica sobre o assunto. O Prof. Pérides volta a resgatar a classe acudindo-a, desta vez, em dose dupla.

 

São Paulo , 08 de setembro de 1997

 

João Gualberto Baring

Pérides Silva